Sexta-feira, Dezembro 02, 2011

O velho rádio do futuro...

Na montra daquela loja iluminada encontrei-o, por fim. A noite passara-se lenta. As voltas na cama acompanhavam o ritmo acelerado de uma tempestade outonal nocturna. Pouco consegui dormir... Vestindo o pijama polar que ainda uso, e apresentando um penteado ilustrativo de quem experienciou uma ávida luta com a almofada, cumprimentei o sol assim que me viu. Despachei-me. A manhã começava fresca, clara. A porta é, agora, deixada para trás... De gabardina vestida, levo o comprido chapéu-de-chuva pendurado no braço. Percorro as ruas pavimentadas a folhas caídas, num tom grená lembrando o verde que tiveram em vida. Pessoas por mim passam, por mim se cruzam, com elas tento não colidir. Um pé seguido do outro, sigo sem meta... apenas preciso pensar, sentir o mundo nos meus pensamentos.

Os cenários transformam-se. Os perfumes combinam-se. A brisa seca traz-me os sons daqueles que conversam. Os que esperam ser ouvidos e os que apenas não conhecem o silêncio. Os sons das passadas no chão, das pequenas pedras que se ricocheteiam noutras; os sons dos pregões do mercado que, ali bem perto, se adensam; o burburinho, por vezes agressivo, das críticas às novas que são lidas nos jornais... Tento abstrair-me da nuvem que carrego: o sono, os problemas, as lembranças, os outros...

É aqui que paro! Perdido no meu mapa, estou aqui, estarrecido, embevecido com o que observo... Bem à minha frente, uma loja com o nome de “Antigu&nutilidades” invade-me com a montra radiada pelo sol. Permaneço imóvel. Protegido por esta camada vertical de vidro está, em primeiro plano, o meu velho rádio, companheiro de brincadeiras com os meus pais. Reconheço-o, apesar deste nosso fosso espacial. Está ali, aquela marca queimada na madeira, em hélice, que tanto me causou um par de horas a tremer. Como um feixe de luz, sou imediatamente transportado às minhas recordações de criança...

- Tenta controlar o teu equilíbrio e o ritmo das tuas pernas enquanto pedalas. - aconselhava-me o meu pai, pedalando a meu lado.

O tempo era outro, de calor. O habitual passeio de bicicleta ao domingo levou-nos a “tropeçar” num tipo de rádio que permitia falar com alguém à distância, desde que usasse um mecanismo semelhante. Estava esquecido, caído no meio da rua, aceitando a chuva, o sol e, mesmo, a erosão do tempo. A curiosidade pela caixa de fusíveis, antenas, luzes que esperam acender-se e botões de vários tamanhos tornou-se ignição da nossa energia em movimento. Com o cuidado de não danificar o frágil esqueleto do rádio, colocámo-lo no suporte da bicicleta. Seguimos em direcção a casa, na certeza de que aquele dia seria realmente extraordinário. No meu imaginário, todas as possibilidades de dar vida àquele aparelho permaneciam fortes candidatas a manifestarem-se na nossa garagem mágica.

Numa das minhas rodas, cinco coloridas esferas metálicas zumbiam ao longo dos curtos raios concêntricos. O meu pai, em tom de brincadeira, dizia-me “ - olha quem nos espera em frente à nossa casa!...”. Era a minha mãe, bela como a suavidade da manhã, segurando um bolo de iogurte e chocolate acabado de sair do forno. Abraçada às suas pernas, a minha mana agarrava uma tentativa de pequeno avião dobrado em origami.

Seguro a bicicleta do meu pai. De olhar atento, observo a sua estima em passar o rádio para a bancada de madeira grossa, situada num dos cantos da garagem. Já com meia fatia de bolo, ainda quente, na boca, puxo da lanterna e espreito cada pormenor daquela caixa, outrora, sonora. Os detalhes mostravam-se elegantes, os mecanismos informavam o meu pai em como deveriam ser, devidamente, arranjados e colocados no local estipulado para o efeito. Admirava o modo brilhante como ele manuseava cada peça. Afinal de contas, a sua imensa criatividade e curiosidade para com os dispositivos electrónicos foram, sempre, a sua especialidade. “Pápi Engenhocas, Pápi Engenhocas!!”, trauteava-lhe eu, enquanto tentava ajudar na procura das ferramentas necessárias.  

Durante este processo, a minha mãe soltava uns acordes harmoniosos da viola, à medida que cantava uma canção conhecida, em coro, com a minha irmã. A pouco e pouco, o mau aspecto inicial do nosso objecto de arte assumia uma nova visão. Talvez duas horas nos separassem desde a nossa chegada à garagem. Desconhecia a maioria das coisas que eu e o meu pai tirávamos das prateleiras da arrecadação para cima da bancada. Cheirava a óleo, a gás, a tinta... As calças com que estávamos vestidos, pareciam fatos-macaco das oficinas de automóveis, as mãos já se sentiam ásperas... Na mesa, ficaram esquecidos os moldes metálicos da hélice de três centímetros que o meu pai recortara na noite anterior para mostrar, à minha irmã, o voo de um avião. Por algo que não me apercebi ter acontecido, talvez por uma indução eléctrica qualquer, a hélice entrou em contacto comigo e com o rádio aquando da sua deslocação. Dei um salto no ar e aquela marca inscreveu-se na madeira do nosso rádio. A minha irmã, que continuava nas suas cantorias de forma tão espontânea ao som da viola, assustou-se imediatamente, com o efeito sonoro e luminoso culminado pelo meu salto em grito vertical. Confesso que o meu corpo não teve qualquer vergonha em tremer, agitadamente, durante as horas seguintes.        

As peças completavam-se como se aquele rádio fosse um enorme puzzle. Faltava tão pouco. Uma afinação aqui, outra mais adiante. As primeiras tentativas para o ligar surgem com a articulação combinada dos vários botões. Na garagem, permanecemos calados. As primeiras emissões de estática põem-nos em euforia, a minha irmã bate palmas, a minha mãe sorri, deliciosamente, para nós, o meu pai aconchega-me o ombro. A nossa dedicação parecia dar frutos. Com ar de entendido, o Pápi Engenhocas afinava alguns dos fusíveis que deixavam fugir a ‘alma do som’. 

- Está quase, Pápi?
- Já está! Preparados? - olhava-nos com uma expressão misteriosa, mas muito cómica.

O nosso olhar focava somente as luzes intermitentes daquele rádio e o som de alguém que, dele, poderia ser ouvido. Já se sentia o misto das primeiras vozes nas colunas. De repente, uma determinada voz assumia o destaque numa suspeita frequência de onda hertziana: “OLÁ! ALGUÉM ME ESCUTA?”... Sem esperar que a frase terminasse, grito, entusiasmado, para o microfone: “ESTAMOS AQUI!”

As gargalhadas de todos pela minha espontaneidade aquecem aquele nosso espaço de criação. Sorrio, embora timidamente, mas estar em contacto com alguém, por voz, sem a necessidade de estar ligado por qualquer tipo de fio fazia-me, simplesmente, sonhar... tanto... Porque a sensação de não se estar sozinho é, sem dúvida, a certeza de que precisamos uns dos outros.

Pequenas gotas começam a tocar-me o rosto. Ficar retido nas minhas memórias, enquanto observo a montra das supostas inutilidades, intensifica o impulso que sinto em transformar o meu Outono em Primavera. Ganho coragem, entro na loja. A senhora, muito simpática, indica-me todas as qualidades do artigo que pretendo adquirir. Contudo, conheço-o bastante bem, apesar de o ter perdido algures durante a minha infância. Com dificuldade, levo-o para casa. 

Ponho-me, novamente, à vontade. O pijama ainda revela sinais do calor dos lençóis, o robe abraça-me com aquele meu perfume tão próprio. Preparo um chocolate quente. De copo cheio, delicio-me com aquele sabor doce viciante, à medida em que deixo o sol derramar a sua luz pela casa. Pelo canto do olho, confirmo a permanência do rádio na secretária, junto à grande janela da varanda. Encaminho-me até lá, sentando-me devagar.

Respiro fundo. Colocar-lhe as mãos é reviver o tempo que perdi com o meu crescimento. Pausadamente, demoro-me nesta sedução à primeira vista. As mesmas peças, colocadas e pintadas por mim e pelo meu pai são, uma vez mais, sensíveis ao meu toque. O ‘ON’ desenhado a tinta mostra-me o quanto se transformou a minha caligrafia, o quanto este pedaço de evolução foi bem estimado ao longo destes anos tão distantes. Pressiono. As luzes iniciam uma viagem mágica de cores nas lâmpadas de várias dimensões. Escuto o afinar do primeiro ruído que se prolonga em breves instantes. A intensidade da mistura aumenta, tento combinar a harmonia sonora no jogo dos botões, tal como me recordo ao ter observado o meu pai... Aquela lembrança está tão viva no meu pensamento. Relembro-a, precisamente, agora. Nesta versão actual, apenas estou sozinho, sentado numa cadeira da minha casa, aguardando a minha ida ao jardim...

As mãos mantêm-se ocupadas a regular as coordenadas correctas. Não sei se alguém conseguirá ouvir-me, mas principalmente, se alguém conseguirá escutar-me. Um novo som de estática flui das cansadas colunas. Apercebo-me de qualquer coisa humana. Apressado pela emoção, liberto o entusiasmo pela minha voz rouca. A sensação de solidão é esquecida quando me é transmitido um ‘ESTAMOS AQUI!’...


rúben leitão - lisboa 071111

Quinta-feira, Setembro 01, 2011

“qui malandros!...”




Começar uma escrita que ainda penso, leva-me a percorrer cada pormenor de cada momento, de cada imagem... cada sentimento neles contidos, cada reacção... cada gargalhada desproporcional...

Apesar de entrarmos a meio, tudo tem o seu ponto inicial... o meu, aos 12 anos, jamais imaginava o encontro de tal oportunidade - viajar a Seoul... mas mais profundo que essa circunstância, foram o motivo, o espaço, o tempo e a irmandade em que a realidade de três malandros se intersectaram...

The World Taekwondo Hall Of Fame... a homenagem de topo atribuída ao meu Mestre João Correia, ao Mestre Nuno Dâmaso, num universo que eleva a centena de condecorados a nível mundial... 

Embora me encontre numa relação indirecta para com a distinção, ter sido informado deste reconhecimento apertou-me em abanão... vibrou-me moléculas, injectou euforia... uma das pessoas que mais admiro e respeito iria erguer a sua bandeira pessoal-marcial onde tão poucos conseguem conquistar... o meu Mestre, o nosso Mestre... por ser seu aluno e, não distante, por ser seu amigo, companheiro de aventuras, estar presente, a seu lado e com ele, tornou-se um momento exclusivo de uma vida enquanto discípulo... Simultaneamente, assistir à saudação do Mestre Nuno Dâmaso mostrou-me o quão privilegiado sou... pela oportunidade que me tem sido dada em aprender com pessoas que, ao longo das suas vidas, conquistaram o respeito pelo seu profissionalismo, pelo seu exemplo, pela sua maestria enquanto seres humanos... como amigos, malandros de aventura, mas onde o respeito, a dignidade, a admiração são intrínsecos nesta interligação de partilhas...

17 a 27 de Agosto... dias fora do comum... mundos distintos, da Europa à Ásia, de um extremo ao sol nascente, do passado ao futuro... ritmos distintos, metas sólidas, noção de largo horizonte...num planisfério onde o oriente se encontra ao centro, foram cheiros, paisagens, pessoas, tactos, arrepios de beleza, de descoberta por novas sensações... um pé seguido do outro em busca do que nos esperava surpreender... a disciplina, a elegância, a perfeição de corpos, as construções seculares, os arranha-céus... à ausência de podridão de automóveis, os topos de gama coordenados... o ponto de encontro, ora no Hotel Samjung ora no ‘Yeoksam Miguel’, codename para a loja aberta 24h em frente ao metro... pela contemplação dos 70% da população coreana – feminina – que por nós passava em caminhada... pela gastronomia tão diversa, tão picante e tão saborosa... pela tradição de se estar sentado – o ‘pernas à chinês’ – durante a refeição... a imensidão de pessoas, de luzes, de fonemas estranhos...

O treinar na Kukkiwon, casa-mãe do Taekwondo... não me preencheu, não me rompeu o ar... sinto-a mais imponente nos meus diplomas de Yodanja... talvez por estar inscrita em suor... contudo, é um local simbólico, imenso de histórias, de momentos chave na mudança dos paradigmas... na tentativa de manter uma tradição, mas que, por paradoxo, deixa de o ser... faltou o treinarmos num Dojang de um coreano maluco por artes marciais... talvez, um dia...

Enquanto miúdo-homem, o ter partilhado esta experiência de vida com dois ‘monstros’ do Taekwondo, permitiu-me crescer um pouco mais... não só pela aprendizagem em cada momento, mas principalmente, pela capacidade que tivémos em divertirmo-nos ao longo de dez dias num espaço completamente estranho... e o quanto essa sensação de leveza me transformou e me trouxe leve a casa...


Mestre Nuno... porque, sem esperar, fomos três malandros cheios de espírito...
‘Meistre’... por todos os momentos desde 1999... por ser quem é...

rúben leitão 010911

Sexta-feira, Julho 01, 2011

Adoro-te, ‘velho’!...


















Aqui estou eu... pela terceira vez...

Hammersmith, London... 28 Junho 2011... a madrugada no Belushi’s atormenta-me o calor de um sono interrompido... o bafo percorre-me 150 metros... chego ao Apollo, duas da manhã... em marcha-atrás, segue um TIR de matrícula austríaca, negro em toda a volta... «beat the street» it says... os longos taipais distanciam-me, agora, das armas que aspiro sentir... as Martin, a Yamaha, a dupla das doze cordas...

A expectativa das 19h do amanhecer seguinte, e tudo o que poderá acontecer até esse momento, flutua entre o sonho, o ‘aqui e agora’ e a queda... a recuperar da voz, cancela o concerto daquele que antecede o nosso reencontro... respirar torna-se urgente... 

As 12 horas sussurram na torre deste lado de London... a par dos seguranças exteriores, a nova aquisição fanática aguarda, protege-se da chuva, trovoada e trovões que concorrem com a festa de aldeia no seu máximo fulgor... às costas, a ‘Brigitte’, que esconde acordes... no bolso, a pequena máquina para grandes momentos... na mão, o saco da hmv com presentes simbólicos trazidos de ‘CASA’... 

A espera inicia-se demorada... os sorrisos cúmplices entre mim e os seguranças transmitem-me a mensagem de que “eheh... ainda tens muito que esperar!...”... confiante, o meu pensamento regateia “não se preocupem... vocês estão cá desde que acordaram ;)”... 

As gotas de chuva caem gordas, diâmetricas... as tentativas de almoço passam por vezes... o nome ‘PAUL SIMON’, a vermelho, lembra-me os filmes antigos da Broadway dos anos que me precederam... curioso... estou em Hammersmith Broadway...

Entre divagações, possibilidades e pingos de água nublares, avisa-me o segurança, muito ao estilo de Tom Cruise, mas com sonoridade Hugh Grant, de que o concerto será adiado para o dia seguinte à mesma hora...

Dia alterado... a guerra por encontrar os souvenirs exactos começa por Picadilly Circus... engraçado como os melhores descontos são nas lojas chefiadas por ‘monhés’... suspeito que se sintam confortados com o aparecimento de um ‘patrício’ no negócio turístico...

A noite rende o sol... na mesma Picadilly, em frente àqueles múltiplos écrans gigantes de destaques coloridos, uma turma de secundário espanhola, acompanhada pelos seus professores, espectacularizam danças populares sevilhanas, capazes de unir a grande praça em palmas, aplausos, flashes fotográficos e destemidos “iOLÉS!”... mais uma vez, espanhóis sinónimo de festa...

29 Junho 2011, 12h30... hmv Apollo, novamente... bloqueiam-me passagens, ilumina-se a vontade de permanecer... 16h20... o autocarro fumado a negro, também ele da ‘beat the street – nightliner’, aproxima-se... de marcha-atrás, para dentro daquela muralha fortificada...

O autoritarismo britânico ridiculariza a boa vontade... apenas da nesga consigo ver descer a banda... o Bakithi Kumalo, o Mark Stewart, o Jamey Haddad, o Andy Snitzer, o Tony Cedras, o Vincent Nguini... 

A espera continua...

17h30, não sei se mais, se menos... 

Faz sinal de luzes... o Mercedes negro topo de gama faz deslizar, sem ruído e com todo o seu luxo, o ‘tesouro americano’... rapidamente o portão se abre e, em alta velocidade, é mergulhado naqueles bastidores de geografia espacial traseira, local reservado apenas aos portadores de cartão VIP... recordo com saudade o Palais des Sports de Paris, carente de traseiras e portões inquebráveis...

19h... de portas abertas, o teatro clássico de tons avermelhados convida à noite fenomenal que tomava, agora, berço... músicas de fundo do Simon, embora alteradas... em gospel e em reggae, como se ouvia no Bridge Over Troubled Water... sem dúvida, um ambiente british...

Estou tão perto, tão proximo, tão junto, tão em contacto...

20h20... numa epopeia de aplausos, aquele palco ganha vida... numa vénia sincera, as primeiras palavras “Thank you for coming... I appreciate that!”... “He’s a phenomena”, alguém, ao meu lado, diz a outro...

Há coisas que não se explicam porque são incapazes de o ser... mas sabe tão bem... no momento em que o vi, consegui sentir a faísca... o estar em contacto com um quase deus e, tão simultaneamente, alguém que já me é tão familiar... um confidente, um ‘tu’ tantas vezes referido em momentos em que raramente está presente...

Aqui cresci... aqui experienciei a epifania do desejo... é perigoso desejar... o que se deseja e o que é desejado raramente são possíveis tocar, sentir fisicamente... porque o deslumbre pode reduzir-se a nada... contudo, essa circunstância material não destrona nem invalida, nem mesmo enfraquece aquele sentimento de pura sintonia transcendental sincronizada...

No lugar D41, (curiosamente, o modelo da Martin de 12 cordas com que tocou ‘The Only Living Boy in New York’), situava-me a pequenos passos de protagonizar o que a minha fertilidade imaginativa lhe apetecesse...tudo poderia acontecer... nada poderia acontecer... mas era o tudo ou o nada...

Foi nos orgasmos musicais que me afastei da minha primeira posição... só parei à frente do palco, a pouco mais de um metro do ‘meu’ gigante...

Completamente deliciado e embevecido, tudo em mim tremia, vibrava, explodia... sensação inesperada... um puto de Portugal estar olhos nos olhos, novamente, com tal ídolo... o modo como ele sorria, como gargalhava, o modo como dançava num estilo rock aquando dos solos, directrizes e estrondosos instrumentais... a perfeição do solo do ‘The Sound Of Silence’... cada uma após outra arrancava a timidez dos menos ousados...

Grandioso não é encher estádios com multidões e proceder a prognósticos face à análise comparativa de anos anteriores... como é possível comparar quando nem jogadores nem treinadores são os mesmos?... comparam-se realidades incomparáveis...

Grandioso é muito mais... é estar encostado ao palco e olhar para toda a plateia, de forma a ter a mesma amplitude visual de quem está naquele ‘púlpito’, e observar o mar de gente de pé a aplaudir alguém que, com 50 anos de escrita e composição musical, ainda contém a chama, o brilho e o dom de surpreender... de inovar em covers das suas próprias músicas mais antigas... de levar cada pessoa a novos locais nunca descobertos, a levar-nos a interrogar... a guiar-nos à delícia por novas sensações, emoções, sentimentos... liberdades...

Tal como «um dia de sol pode, apenas, acontecer», também acontecem momentos mágicos que nos prendem a um lugar bom... e daí, podemos guardar, aqui bem dentro e perenemente, essa beleza... mesmo quando nos forem abertas as portas da realidade diária...

Os instantes finais... após o derradeiro incêndio harmónico do ‘Late in the Evening’, é um a um que, na linha da frente, o Simon cumprimenta com um doce aperto de mão e um enorme sorriso de bochechas redondinhas de esquilo ternurento... estou na extremidade do palco... de mim aproxima-se... o ‘tum-tum’ retira-me a força das pernas... chega-se a mim... a minha mão e a dele tocam-se, abraçam-se, envolvem-se... não a quero largar, nem deixar de sentir o quão magnífica e fofinha (porque é!) é aquela mão... senti-me no tecto da Capela Sistina... agora, só o meu cérebro consegue reproduzir aquele contacto, sentimento, sensação inimaginável de acontecer...

Da mesma forma, o adeus geral através da mão... Jamey Haddad, Bakithi Kumalo (com quem toca desde 1985), Vincent Nguini... senti-me ‘tipo porra!...’ :)

Sei que os meus ‘tesouros de casa’ lhe foram entregues... tendo, por mensageiro, o baixista, e após lhe dizer de onde vinha, exclamou “Oh, Portugal... Bom Dia!!”... thank you, Bakithi... :)

De regresso às traseiras, ainda encontro o Jamey Haddad para conversarmos (last time was in 2008, Paris), e com o Mark Stewart, guitarrista e multi-instrumental player... terrivelmente bom...

Talvez numa próxima, consiga ter o meu encontro de 3º grau... até lá, vou vivendo feliz... sabendo que essa centelha de fogo me permite distanciar-me dele e, por isso, adorá-lo... porque a partir do momento em que o considerar como um dos meus pares, perder-se-á a magia de toda a circunstância existente entre rúben leitão e Paul Simon...

Bem que poderia escrever algo como «Alex Supertramp» neste banco de jardim perto de Notting Hill... não o faço... porém, esta aventura solitária não o foi, na medida em que “nunca estou só, mesmo quando estou só”...


À t-shirt do Cão Azul, pelo brilho que me proporcionou durante toda a noite...
Às amigas de quarto, Camille e Emmanuelle... pelos bons momentos... aguardo a vossa chegada...

A ti, que sempre me acompanhas...


rúben leitão
28-300611 - London

Sábado, Dezembro 25, 2010

Um obrigado...



É-nos transmitido que “nós, como membros, treinamos os nossos espíritos e corpos de acordo com as regras prescritas... que nós, como praticantes, estamos unidos numa amizade mútua... que nós, como praticantes, cumpriremos os regulamentos e obedeceremos aos instrutores e aos mais graduados”...

Chegámos crianças, tornámo-nos adultos... entrámos crescidos, amadurecemos em pessoa... fomos tantos, somos muitos... 

As palavras, que aqui vos deixo, percorrem trinta anos de TAEKWONDO em cada um de nós... para a maioria,  podemos não ter assistido aos primeiros anos de crescimento desta arte marcial em Peniche... contudo, a um determinado momento da sua história, a nossa cruza-se com ela... e na essência do nosso TAEKWONDO, está o nosso encontro com o nosso Mestre...

É por ele que o TAEKWONDO de Peniche se atreveu e se aventurou no além-portas nacional e internacional... estágios, competições... não só ao nível físico mas, principalmente, o sentimento de mensagem de união, a partilha dos momentos em grupo, as emoções intensas necessárias à edificação da família marcial da qual fazemos parte...

Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Irlanda, Escócia, Suíça, Vietname, Azerbeijão,  China, Dinamarca... locais por onde passámos, por onde acompanhámos o nosso Mestre... diferentes culturas, onde colocámos a nossa pegada marcial... o espírito que transportamos connosco em cada momento... a cortesia, a integridade, a perseverança, o auto-domínio, o espírito indomável, combinados com a personalidade de cada um de nós, torna-nos no grupo que admiramos... o prolongamento da família do nosso Mestre... o legado que, a cada dia, nos é entregue... enquanto união de laços com alguém, o sentimento de admiração, de exemplo, de orgulho pelo nosso Mestre é imenso... a nossa caminhada ainda é recente... no entanto, esperamos ser motivo do seu reconhecimento... este grupo como reflexo  do verdadeiro Professor que escolhemos para nosso Pai Marcial... 

A vida proporciona ou obriga caminhos diversos... apesar das ramificações que cada um teve de seguir, nada irá fazer esquecer a importância fundamental para o nosso crescimento marcial e, sobretudo, para a nossa conquista enquanto seres humanos... Porque onde um vai, vão todos... As palavras são curtas... o agradecimento é único... Um obrigado, Mestre...

rúben leitão 181210

crash...



Esta, leva-me para longe... magnífica...

rúben leitão 251210

Terça-feira, Dezembro 21, 2010

(Ainda sem título...)

Manhã de 2ª feira. O burburinho das folhas de jornal termina a calma do fim de semana anterior. Após o nascer do sol, a areia nos pés de Sofia torna-se, agora, corrida na calçada imensa de gente. Sem olhar para trás, as páginas de rascunho do seu novo livro caem como gotas de trovoada. O trânsito parado, o labirinto entre automóveis permitem ver quem persegue. Não se percebe o rosto, apenas a silhueta de alguém que lhe lembra saudade. A distância parece alongar-se, as tentativas de encurtar caminho surgem com a vontade imensa de reencontro. As suas memórias competem com a sua velocidade física... já sem os seus apontamentos de um possível futuro, apenas se dedica ao momento em que poderá estar de frente com aquela imagem. No cenário de fundo, pessoas olham sem, talvez, se importar... aparecem esbatidas na vivacidade daquela correria de Sofia. As paisagens mudam, os discursos alteram-se, a distância entre os dois mantém-se. A respiração torna-se ofegante, cansada, sugerindo um recuperar de forças urgente para alcançar aquele vulto desconhecido... toca o sino, perto de uma casa estranha. Ambos param, aproximando a distância que os mantinha longe. Sofia desvia o olhar... um rasgo de ternura infiltrou o seu corpo. Aquela casa não era assim tão estranha. Apercebe-se, agora... a sua memória transportou-a para o seu berço. Sofia foi mortalmente atropelada, no momento em que lia, no jornal, o lançamento do seu novo livro.

rúben leitão 211210

Terça-feira, Dezembro 07, 2010

"Getting Ready For Christmas Day"...



Não há neve... contudo, é possível sonhar...

rúben leitão 071210

Quinta-feira, Dezembro 02, 2010

A 'caminhada'...

Porque uma nova perspectiva se aproxima...

rúben leitão 021210

"No momento em que uma nova etapa se impõe ao meu crescimento pessoal e marcial, julgo ser a melhor oportunidade para registar, em escrita, problemáticas e pensamentos que têm acompanhado o meu percurso enquanto estudante e ávido praticante de TAEKWONDO. Esta breve tese de candidatura à graduação de 3º Dan terá, como estrutura, dois grandes pilares. Um, reportando-se para a História do TAEKWONDO, e um segundo centrando-se na importância da marcialidade e na análise do respeito para com ela. Será interessante perceber que, num espírito guerreiro puro, o objectivo está em vencer medos, receios, quebrar fronteiras, mas principalmente capaz de unir bandeiras, povos distintos, desconhecidos num só espaço, o encontro de amizades. TAEKWONDO como método de reencontro dos valores perdidos pela massificação e consequente degradação do espírito humanista. A arte marcial enquanto identificação pessoal de cada um. Será, portanto, um capítulo designado por TAEKWONDO, Sociedade e Vida, onde ao longo da escrita, apresentarei as conclusões do observado. É neste capítulo onde constarão episódios de vida em momentos de partilha com aqueles que considero ser a minha família marcial.

A oportunidade que tive em iniciar-me nesta arte, aos 12 anos de idade, permitiu-me desenvolver e evoluir em dois domínios fundamentais: físico e psicológico. A aprendizagem a que tenho sido sujeito tem acompanhado vários marcos do meu processo de maturação enquanto pessoa. Não pretendo fazer desta dissertação um trabalho exclusivamente teórico e denso. Pelo contrário, quero registar aqui, de forma simples, a minha vivência com a arte marcial a que me dispus a conhecer e a crescer com.

Cortesia, Integridade, Perseverança, Auto-domínio, Espírito Indomável. Valores por que se rege o TAEKWONDO. Linha de vida segundo a qual cada praticante e atleta deveria guiar-se. Consciencializar-se das atitudes e dos comportamentos com que actua, não só no mundo físico, como também na realidade última, universo dedicado aos valores subjectivos."

rúben leitão, in Introdução da Tese de Candidatura à Graduação de 3º Dan Kukkiwon, 291110

Sábado, Novembro 27, 2010

Lausanne... terrível saudade...


Perdendo-me nas milhas ultrapassadas em nuvem, olho a pequena janela... cada regresso a Lausanne recupera uma doce saudade de cada aventura lá partilhada... palco primeiro da minha doença internacional...

Cinco anos... o ciclo soube repetir-se... em 2005, éramos 15... há tão pouco, mas já tão distante, o mesmo número... amigos de fins-de-semana em torneios e estágios... lá, companheiros de loucura sã, amizade intensa... orgulho de união, espírito de marcialidade... curioso observar-nos enquanto grupo... família que se prolonga... 

As peripécias nas deslocações na cidade, as danças “à tuga” no autocarro, na festa... os risos chorados e perdidos pela expontaneidade dos comportamentos... o jantar que superou todas as expectactivas, o abraço comum simbólico de diversão... apetece-me escrever tanto, a escrita falha-me... 

Pela primeira vez, surgiu a oportunidade de termos sido alvo de reportagem para a televisão regional de Lausanne La Téle... http://www.latele.ch/live ... 

Um agradecimento à Valérie e ao seu pai... pela cortesia e pelo gesto inesperado naquela noite... mea culpa... peço desculpa por isso... aguardo um regresso vosso a Portugal para me redimir...

Não por ordem de importância, mas por ordem fotográfica...

Ana... com um sotaque de Coimbra, conheceste uma família de doidos... não te arrependas...
João... meu ‘homólogo’... sem qualquer formalidade, espero que tenhas sentido o bichinho que, em nós, já nos corroeu por completo...
‘Valentão’... pela boa disposição com que sempre nos acompanhaste...
Bruno... finalmente, sem gravatas... pudémos passar bons momentos de treino... 
Inês... pelas paródias em grupo... pelas fotos fantásticas...
‘Gilu’... por seres um dos ‘brodas’ com quem tenho crescido... obrigado pelas maluqueiras, pela boa bandidagem...
Louro... escrevi, há uns anos, que, em miúdo, irias tornar-te um bom homem... sabe bem aperceber-me disso... 
Rui... por nunca nos termos cruzado a este nível de aventura... és um ‘senhor entertainer’...
‘Cachaporra’... sem qualquer dúvida, a Koryo precisa de ti... és um tipo impecável...
Cláudia... pela tua cumplicidade nas piadas... pela perfeição nos momentos de aprendizagem...
Hélder... pelo companheirismo a que já nos habituaste... és um guerreiro...
Miguel... por estares sempre disponível para nos receber bem... 
‘Zé Ronaldo 6.9’... pela comédia dos teus discursos sério-cómicos... obrigado pela constante preocupação...
‘Bruene-pah’... obrigado por me proporcionares mais um momento fantástico... pela organização excelente, hospitalidade portuguesa... o teu espaço é-me especial...
Mestre Zé... por mais uma nova reunião de amigos... companheiro de gargalhadas, de análises sociológicas...
‘Meistre’... porque, sinceramente, espero nunca o desiludir... é importante demais para o meu crescimento enquanto aluno... enquanto pessoa...

Alors on dance?... esferovite ;)

rúben leitão – 271110

Quarta-feira, Novembro 03, 2010

"Estar só..."


Porque acontece sem se prever... tal como alguém que admiro, "nunca estou só, mesmo quando estou só"... porque, por vezes, é preciso algo mais do que essas memórias que nos preenchem... e tendem a completar um espaço nosso que nunca se fecha...  

rúben leitão 031110

Quinta-feira, Outubro 28, 2010

"Simon Jee"



Não sou capaz de resistir... é das raras oportunidades que o vejo parodiar a sua própria obra... ele, o tal que procura a perfeição da sua composição, da sua história... onde tudo tem o seu espaço próprio de enquadramento... de harmonia... gosto daquele sorriso gargalhado em "yo" curtido... sabe bem ver este seu lado mais pessoal, familiar... íntimo...

rúben leitão 281010

Terça-feira, Outubro 26, 2010

Stand by me...

É tão curioso quando o exemplo de união surge daqueles que, muitas vezes, fugimos...


Brilhante... http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=2539741


rúben leitão 261010

Sexta-feira, Outubro 22, 2010

O cego da linha azul...


Sem esperar que o resultado fosse uma doce gargalhada, soltei a recordação daquele som ritmado, cardíaco forte... a criação em música de versos... a conquista da esmola... sempre que ali me encontro, o esperado batuque rap começa primeiro cá dentro... observo ao longe... "tinhas de vir", divago com um sorriso...

Encontrei este clip... fantástico o espírito em música que esta 'i-band' promove no metro de Nova York... "o cego da linha azul que se cuide", sugeri ao meu pensamento... lembrei-me daquele olhar na memória inicial...

rúben leitão 221010

Urgente...


Tanto se discute... tanto se perde, imenso o esquecido... como é possível um adulto renegar a criança que foi... destruir aqueles pequenos sonhos que o tornava num ser fantástico pela pura magia de abraçar a vida...

rúben leitão 221010

Sexta-feira, Outubro 08, 2010

Hachiko...

Nove anos e dez meses, nas onze quadras sazonais de existência...

O ser humano consome-se, corrompe-se, destrói-se... a vida de crise, a panóplia de sentimentos mascarados a negro fundo... nos bastidores, são outros os actores de um verdadeiro sentimento... não de forma exclusiva, como que excluindo o tacto humano... no entanto, é neles onde a pura essência sentida é fielmente demonstrada... sem interesses, sem jogos duplos, sem vontade de enganar...

Hachiko...

Escrevo sobre ele, embora a escrita desenhe outros tantos que, em paralelo, se conjugam na mesma história...

Tal como a raposa do Principezinho, na amizade é necessário ser-se único ao outro, através da 'criação de laços', do saber 'cativar', da permanência do 'ritual'... ser-se essencial, importante... leal...

A facilidade de socialização do ser humano fá-lo menosprezar, a cada momento, os elos de ligação de uma amizade realmente transcendente... por muitas centenas de 'amigos' online que, orgulhosamente, milhares se orgulham e gabam de possuir, raro será o nível de sumo bebido em lume...

A futilidade do nada domina no real, no virtual... os sorrisos sem valor, as palavras ocas sem calor de dentro... o homem enquanto um ser demasiado ocupado... em dúvidas existenciais de ego perfilado...

Precisamos tanto de saber aprender... admiro-me como somos rapidamente ultrapassados por estes seres magníficos... porque cada dono é único para o seu cão... aquele com quem brinca, aquele perante o qual sente o dever de proteger...

Aquele que, estando à mercê do seu dono e, ali, para o tudo ou para o nada, estará, sempre, à sua espera...

rúben leitão 081010

Terça-feira, Setembro 21, 2010

"E esta, hein?"...



Por muito que o admire, outros tantos o aconchegam... para mim, está quase... espero que no interior daquele meu 'bolo', o que estará por chegar, a vela que brilha seja aquela que os fez chorar...

rúben leitão 210910

Quinta-feira, Setembro 16, 2010

A recompensa...

Uma viagem de histórias. A viagem Portuguesa que se tornou no objectivo comum de elevar a nação na grande conquista comercial. O escasso armamento bélico não permitia uma vitória que convergisse para o domínio territorial estrangeiro, mas para a estratégia de fazer circular as especiarias, a mercadoria. Esta, ultrapassaria qualquer religião, qualquer política, tornando-se a viagem na epopeia das especiarias. A percepção de um Mundo como uma soma de diferenças colocava a terra lusa no primeiro lugar ao incorporar as múltiplas culturas do outro. O sucesso de consolidar a presença portuguesa nas rotas comerciais dependia do diálogo, do contacto, de olhar para o outro como idêntico a nós, o reconhecimento do outro. Vasco da Gama era o comando dos seus navegadores. Um povo capaz de desafiar o desconhecido, aceitando e vencendo as suas tormentas, de remo contra as vicissitudes de um mar que se mostrava longo, distante, misterioso e “nunca dantes navegado”. A tentativa, transformada em feito, de se cumprir o destino lusitano: o conhecimento e a descoberta do caminho marítimo para a Índia tornou-se na bandeira de prestígio, de glória nacional e no mundo, de reconhecimento e de honra para os portugueses. Os dois anos de viagem (1497-1499), sucumbiam a jovialidade dos navegadores, esforçados pelas forças das embarcações cansadas.

Vénus, deusa do Amor e símbolo da beleza física, é a “divindade protectora dos portugueses e seu principal adjuvante no bom êxito da sua missão” . Dotada de uma energia única, e através da sua sensualidade instintiva, do seu carácter natural e humano, do seu erotismo, tem a capacidade de encaminhar os homens no bom caminho, na conquista da honra e da glória. Por apreciar a vitória e os feitos portugueses, este ser belo mitológico deseja recompensar todo o esforço anterior na viagem de regresso, por mares já sem mistério, onde o medo de falhar foi já vencido. Os navegadores venceram as tormentas e Vénus venceu Baco, divindade do vinho e principal opositor ao caminho grandioso de Portugal, intervindo constantemente nos perigos, nas peripécias violentas, nas ciladas, nas doenças, nas tempestades que enfrentavam simples seres mortais navegando por mar.

No entanto, Vénus não é independente nas suas vontades, precisa do apoio de outras divindades. Dirigindo-se ao seu filho, Cupido, pede-lhe que oriente, num outro sentido, a sua raiva, a sua revolta contra o Amor, por sentir que o ser humano é egoísta, frio para com os outros. Consciente das razões da mãe, o deus que incorpora a paixão e o amor aceita apoiá-la na recompensa aos portugueses. A função de Cupido será ferir “de amor as ninfas que os aguardavam numa ilha por ela preparada no oceano”. A Ilha dos Amores, ou o jardim de Vénus, trata-se, portanto, de uma alegoria abstracta. É algo não histórico que, n’ Os Lusíadas, acontece construída para ser lida como uma ilha pintada, de acordo com o gosto e conhecimento de Camões. A figuração do jardim pretende criar um espaço acolhedor, digno de corresponder ao amor de Vénus. Do mesmo modo, toda a natureza é personificada segundo a imagem que o poeta tem da figura feminina.
Avista-se uma ilha. À medida que se aproximam, os navegadores portugueses surpreendem-se com a beleza, com a doce suavidade de um paraíso que lhes aparecera bucolicamente em harmonia num mar ainda longe de casa. Aqui, apenas se vislumbra a natureza na sua essência. Um jardim perene, um espaço optimista de permanência e de renovação, não havendo vestígio de morte. Contraria-se a ideia da viagem, constituída por início, meio e fim. É um crescimento sem ordem, um jardim selvagem por amor. A moral e a religião da época são esquecidos, dando lugar a uma reprodução do éden, o jardim perfeito, o paraíso perdido inicial, onde toda a acção flui para o sacear dos sentidos. Os prazeres do toque, do olhar, dos perfumes, o sabor e o saborear daqueles sons melodiosos campestres e inocentes. A fauna deste lugar idílico surge em forma de elementos simbólicos, como se observa nas aves, nos cisnes, nas lebres (evocando Diana, deusa da caça e dos animais selvagens), nas gazelas (lembrando as elegantes donzelas). A paisagem mostra-se toda ela sensual. Flores, açucenas, pinheiros e ciprestres. Árvores aromáticas bem desenhadas, repletas de laranjas, cidras, pêras, cerejas e limões apetecíveis de várias cores seduziam os recém-chegados. O espaço lírico é, agora, cenário da acção, precedida pelos espaços épico e dramático.

Contudo, a verdadeira recompensa está nas musas que, feridas de amor por Cupido, aguardam despidas ou semi-nuas pelos portugueses. A sensualidade e o crescente erotismo são acompanhadas por suaves melodias de harpas, flautas e cítaras, construindo todo um ambiente pastoril onde é possível encontrar o amor, elemento simbólico como o ouro.
A ideia do pudor desaparece. As ninfas, colocadas em pequenos trajes, despem-se como se estivessem sozinhas, embora saibam que estão acompanhadas. Assim, se torna apetecível a ‘caçada’, ou seja, a conquista amorosa. “Os marinheiros divisam por entre os ramos das árvores as cores dos tecidos das vestes das ninfas, as quais deliberadamente vão se deixando alcançar. Outras são surpreendidas no banho e correm nuas por entre o mato, enquanto alguns jovens entram vestidos na água. Elas não fogem e deixam-se cair aos pés de seus perseguidores”.
Humanos e belas deusas unem-se em actos sensuais e amorosos, num clima de festa e de regalo de doces manjares. O prémio para o corpo é vivido no seu máximo expoente, “contemplando e saciando todos os sentidos:”. O Amor mostra-se como o centro da harmonia e do mundo. “A realização do Amor, do desejo de amar e ser amado é o momento de glória”.
Além de nos ser apresentado um habitat de pura harmonia, de beleza sensorial e catarse total, a ilha é, também, a reconciliação, a transcendência e o lugar onde se reúnem os quatro elementos fundamentais. Terra (o território que conheciam), Fogo (a paixão e o amor), Ar e Água. Esta última é representada não só pelo mar ao qual se aventuraram, mas também pela água dos lagos da ilha, e que formam um espelho de onde o poeta apenas consegue ver o reflexo de todo o ambiente bucólito. O jardim de Vénus como o imaginário de Camões. Neste jardim, as estátuas de figuras mitológicas, de deuses e de figuras femininas dão lugar a um outro espaço. O poeta fixa todos os marinheiros e todas as ninfas em estátuas (enquanto legado do Barroco), desenhando a imagem que lá se ‘congela’.

Uma outra particularidade da ilha é conciliar os três planos temporais. O Passado recupera as conquistas portuguesas por terra, “o espaço da realização da consolidação do Reino” , o Presente eterniza o período da expansão por mar, e o Futuro está na mensagem da ilha. O momento da revelação total dá-se após terminados os prazeres carnais (frutos do Amor, que preenche e purifica) dos navegadores. Do lado espiritual, o prémio está na consciência de que “os demais deuses nunca existiram (...), o que existe são homens que, pela sua qualidade, se tornam superiores”. O “maravilhoso autêntico é o homem”, na sua potencialidade de concretizar grandes feitos, através da sua vontade, contrariando a pequenez que o caracteriza face ao poder da natureza e dos acasos.

O mundo natural é admirável, onde se combinam rostos, corpos, gentes, culturas, estrelas e amores intensos. Foi Tethys, deusa-mãe do Oceano, que, dirigindo-se a Vasco da Gama e reconhecendo-o como um “senhor do Tempo (para ele o Futuro é já Presente), a ser senhor da Ciência e do Espaço, levando-o a contemplar a ‘Máquina do Mundo’”, ou seja, a contemplação do sistema cosmológico e uma visão geográfica do globo. Unindo os navegadores e as ninfas, o poder de um humano equivale ao divino, o que desmistifica a importância dos deuses. Nasce, desta ligação entre portugueses e deusas, uma nova “progénie forte e bela”. Através do Amor, os deuses revelam-se humanos. Compreende-se, assim, que ao Homem está associada a liberdade das suas escolhas, de liderar o seu destino.

A homenagem imortaliza o nome dos Portugueses no Mundo. Honras e glórias estariam, agora, presentes no futuro daquela gente. Para onde fossem, seriam reconhecidos pelas suas conquistas na elevação de Portugal.

Os Portugueses ousaram ser navegadores. Cumpridos os objectivos, aproximaram gentes, culturas, memórias e uma nova mensagem a quem transmitirão às gerações vindouras. A Ilha dos Amores está em cada pessoa. O segredo... estar-se disposto a ‘descobri-la’, a alcançá-la... e a apreciá-la...

rúben leitão - agosto.2010

Terça-feira, Agosto 31, 2010

Como arrepia...



Tem-me acompanhado neste verão... não pelo original, mas por uma orquestra que me tem docemente arrepiado... ouvi-la em silêncio, senti-la para lá do corpo, negar-lhe o olhar... na noite, quando tudo faz sentido... e o luar estrelado, que num mar de areia branca, nos convida...

rúben leitão 310810

Sexta-feira, Julho 23, 2010

“CONTRALUZ”...



Magnífico... a harmonia está toda lá...


rúben leitão 220710

Sábado, Julho 17, 2010

“Dream pink”...

O encontro de nacionalidades inundou para além da mediática África do Sul... ligeiramente distante, talvez mais a norte, em plena terra de batalhas viking, quatro centenas somadas a umas tantas dezenas de ‘martial artists’ abraçavam-se num Taekwondo que todos sentiram ser o verdadeiro Taekwondo...

Bosei, Dinamarca – GrandMaster Cho’s Sommerfestival 2010...

Nesta recente aventura, a partida precisou ser feita em três grupos... voei, a 27 de junho, conjuntamente com as duas ninjas portuguesas... paródia disparatada que chorava o riso após várias imitações do “Oh Mókótó!”, em simultâneo com uma perfeita simulação ‘old western’, onde uma possível pastilha elástica poderia ser mascada enquanto a inclinação demasiada da cabeça, para trás, sugeria ser a válvula de abertura extrema do maxilar inferior... seguia-se novo disparate sem nexo... a diversão, a alegria por voar em direcção a uma semana previsivelmente fantástica tornou velozes as quatro horas de voo que nos separava...

Chegada ao aeroporto de Copenhaga... um sorriso ‘Pepsodente’, com ar de engatão, mas já sem forças por tanto esperar (foram mesmo seis horas, cacete?), segurava, na primeira fila, dois pequenos papéis de uma agenda com destino cumprido... “Team Corea” e uns caracteres suspeitamente japoneses davam-nos as ‘Boas-Vindas”... saudade após tanto tempo, meu amigo...

Histórias eram contadas, como um resumo alargado dos acontecimentos decorridos entre o momento de separação e o instante de encontro... numa Volkswagen Transporter, com duas portas laterais atrás, seguimos, conduzidos pelo ‘oh chefe?!” (um dos tantos), e acompanhados por mais quatro futuras colegas de treino... cada uma, de sua voz distinta... uma só de partilha - o inglês...

A lua cheia, brilhante e avermelhada... a estrada sem qualquer inclinação no terreno... tão plano, tão ‘estrada fora’...

Noventa quilómetros na ‘preta’, chegada a Bosei... Possivelmente, passadas as zero horas, cujo badalar não se ouvia, o céu permanecia numa gradação de cores como quem ainda anoitece em Portugal...

Dentro da floresta, uma receptiva, calorosa universidade japonesa nos recebia... estacionados, de nós aproximam-se o nosso ‘Meistre’, acompanhado pelos Mestres Nuno Dâmaso e Philippe Montosi (deliciado com a Ginja d’Óbidos, que dele se aproximava), e pelo simpático Jong Moo...

Carregados até aos cotovelos, com tendas à mistura, deslocamo-nos à área destinada ao camping... após 2+2 segundos, duas tendas Quechua verde tropa ficam alinhadas lado a lado, ficando apenas carenciadas de habitantes ‘bronzeados’... Retomando o caminho até à recepção, somos informados de que podemos dormir numa das salas, onde estavam instaladas seis teenagers norueguesas... “Por que não?”, pensámos nós... “Afinal, sempre dá para fugir às melgas”...

Dá-se o regresso ao grande relvado de futebol... mais uma vez, levantamos as pesadas malas com destino àquele quarto que, sete dias depois, aprisionava saudade...

O grande corredor, apenas com luzes de presença, não escuta qualquer som... pela madrugada que ali se sentia, os cinco portugueses (a ‘Team Corea’), arrastavam quatro malas trolley, como se de um exército de cavalaria se aproximasse... De facto, só aconteceu nos cinco primeiros passos... os restantes, conquistaram-se à base de fôlego... Ligadas as luzes, e após aprovação das garotas, cujo sono se encontrava em quinto grau (perceptível pelo ar de redondos ‘tumores’ faciais), entrámos meio que apressadamente... a sensação de ‘quem estava a mais’ àquela hora só nos permitiu estender o colchão e o saco-cama... sono...

Um sol motivador nascido às quatro da madrugada, mostrava um bom início de segunda-feira... Começava um dos melhores estágios de Taekwondo da Europa...

Os treinos, divididos por grupos de graduações (mas com possibilidade de alternar entre eles), permitiam a todos os praticantes um contacto com as várias filosofias, bem como a proximidade para com os diversos métodos de treino dos formadores... Eram eles os Grão-Mestres Cho Woon Sup, Eun Am Hong Chong Ki, Lee Baek Un e Ky-Tu Dang; os Mestres Lee Gye Haeng, Svein Andersstuen, Nuno Dâmaso, Kwak Byung Ho, Jan Terje Sletten, Erling Oppedal, Ole Havmoller, Alan Olsen, Philippe Montosi, Thomas Jensen, Jon Lennart Lobak, Jorgen Berg; e Choi Ji Min.

Os treinos especializavam a Técnica, a Condição Física, as vertentes do Taekwondo... o cansaço pedia urgência por mais forças, um pouco mais ar no pulmão... A piscina gargalhava, dava novo acordar ao corpo ardente... as brincadeiras de qualquer idade chapinhavam em contínuo movimento...

Um apetitoso pequeno-almoço e um revigoroso almoço (que se viriam a tornar tradição), eram compostos por leite e sumo, um pão com manteiga e doce, com fiambre e queijo. Este pequeno manjar reforçava as energias mais que esgotadas durante as várias horas de treino ao longo do dia... o jantar prometia, sempre, petisco... ora grelhados ora kimchi – gastronomia coreana capaz de nos incorporar Hefesto...

A exaustão requeria banhos de descanso, de regresso ao baixo ritmo cardíaco... entre cochilos pela tarde solarenga ou sono profundo durante a escassa madrugada, foram várias as vezes que sentia um arremessar de roupa desarrumada da colega de quarto, numa trajectória quase que acertando em mim... dobok, sapatos... por alívio, não acordei com possíveis toucas em forma de cueca norueguesas...

A sala, transformada em quarto um tanto caótico-cómico, reconhecia os nomes das colegas norueguesas no comprido quadro de giz... solidários e corteses, escrevemos os nossos nomes (seguido dos nomes de código malucos), a nossa escola, a nossa identidade nacional... mínima foi a interacção entre ambas as culturas... olhavam-nos desconfiadas, realidade que abraçava a maioria dos praticantes...

Noite de terça-feira, 29 de Junho... écran gigante na cave da universidade, na zona da movimentada lavandaria... assistimos ao Portugal-Espanha, na companhia de matulões fanáticos por bola e cerveja, cujos apupos, gritos e risos, erguiam um fonema estranho ao ouvido... Perto de nós, um tanto recuado daquele movimento, um putinho louro e de olho azul, semelhante ao do Sexto Sentido, vestia o equipamento português e com um visível orgulho daquelas cores... foi bom observar o sorriso de um garoto feliz, que se divertia torcendo por um país que não era o seu...

O dia seguinte preparou a demonstração das várias escolas presentes... num ensaio anterior de poucos minutos, fértil imaginação de encenação, paródia e marcialidade, conquistámos, perante a imensidão de gente na sala unida, a simpatia, o respeito, o reconhecimento... assistiram, ao vivo, que somos, também, elementos da família do bom Taekwondo... A partir deste momento, eram vários os sorrisos, os simpáticos cumprimentos enquanto caminhávamos por Bosei... No quarto, a demonstração mostrou ser a acendalha para as nossas colegas de quarto meterem conversa connosco, conversarmos, desenharmos, rirmos por piadas, parvoices... gargalhadas apenas de cansaço, sem motivo...

O companheirismo entre as novas amizades que nasciam entre as tantas centenas de pessoas... curioso ver várias culturas, linhas de rosto distintas, concebidas a partir dos fenómenos geográficos de cada local, reunidas, a evoluirem, a divertirem-se, a respeitarem-se...

A aventura adensava-se... estando envolvidos pela floresta, num dos passeios carregámos as máquinas fotográficas e disparávamos para dentro daquela beleza natural... os “mil metros” que deixaram de o ser, as peripécias da caminhada... o regresso à partida que culminava no trampolim... saltos, quedas, torcer de barrigas, nos “porras” que imperavam a estabilidade do balanço... as gargalhadas mais que lágrimas... respiros sem fôlego...

Último dia, últimos momentos... sexta-feira, final de tarde-noite, a cerimónia solene de encerramento... as velas representando cada cinto negro, a música oriental de meditação... a união e a certeza de que aqueles dias fantásticos findavam dali a várias horas... De seguida, a ‘disco-night’ tornou-se o apogeu das relações humanas... a dança, os espectáculos de quem era o melhor artista, o convívio com aquela tanta gente, o espírito de grupo, a paz em harmonia do momento que se prolongava desde o início, o querer registar na memória biológica e virtual a efectividade de que tudo aconteceu...

Porque Portugal ainda é um país pequenino, onde os carapaus se armam em atletas de corrida... naquele convívio internacional, todos foram pessoas simples, humildes, tratando o outro como um igual... desde Grão-Mestres a Campeões do Mundo... No Taekwondo - arte marcial - ninguém compete entre si... todos pertencem à mesma família que se entre-ajuda, por forma a que todos consigam evoluir através dos ensinamentos uns dos outros... Um cinto negro é sempre um cinto branco... Portugal é, ainda, terrivelmente pequeno...

A partida, sábado... as despedidas após o pequeno almoço... a promessa de um possivel ‘até breve’... Chegados a Copenhaga, o exercício na procura do ‘Bed&Breakfast’ competia com a sessão de treinos dos dias anteriores... percorrendo a cidade, a procura dos souvenirs e, à noite, de madrugada, a discussão ‘à filme’ entre o dono do hostel e uma japonesa que não lhe pagava a renda... e nós a roncar, a roncar, a roncar...

Porque foi das semanas mais fantásticas em aventura de grupo... obrigado por essa viagem a uma nova descoberta de vocês... de mim...

GM Cho Woon Sup (Coreia/Noruega)... obrigado pela calorosa recepção, oportunidade, simpatia e marcialidade...
GM Lee (Coreia)... fiquei deliciado com a alegria com que ensinava nos treinos... um perfeito ‘desenho animado fofo’ com umas grandes e doces bochechas com um risco horizontal em cada olho...
GM Ky-Tu Dang (Vietname/Dinamarca)... pela simplicidade e humanismo que demonstrou... pela perfeição técnica e quase irreal...
M. Montosi (França)... obrigado pela especificidade de treinos, pela amizade... a ginja não foi esquecida...
M. Nuno Dâmaso (Suíça/Portugal)... um amigo que consideramos ser especial... um Mestre exemplar que inspira em nós confiança, coragem... vontade de vencer os nossos obstáculos... obrigado por cada filosofia de cada treino...
‘Jasão’ (Noruega)... apesar da tua ligeira ‘pinta’ foste parte importante dos nossos momentos mitológicos... por pouco não levaste um ‘Yop’ na tromba... “já lá estava!!” :) ...
‘Obikwelu aka Mr Eko’... gostaste da nossa equipa… caminhavas connosco... “Quem é o Mr. Eko?”... “É o Obiwelu, Meistre!” :) ...
‘Jesus’ (Irão)... por teres um estilo fabuloso de quem só quer paz, dança, vida e Taekwondo... a tua bicicleta, bem ao estilo de uma Harley Davidson marcou-me... os meus choques impossibilitaram-me de continuar a festa na tua ‘Jerusalém’...
‘Sopas’ (Coreia)... pelos momentos de riso quando era pronunciada a tua alcunha...
Stefanos, (Grécia)... óptimos momentos no culminar da semana...
Laurent (Suíça)... por estares sempre empenhado em qualquer situação...
Jong (Coreia/França)... por já estares habituado a mais malucos... bem vindo a Peniche...
Albana e Mikki (Itália e Suíça)... por estarem sempre presentes com a equipa...
‘Trucas’ (Suíça)... por seres o ‘Gilu’ de lá... completamente doido...
‘Rúben 2’ (México?)... és um tipo porreiro... compreensivo, empenhado...
As nossas colegas de quarto... Charlotte, Jeanette, Danielle, Kristine, Mari, Alette... obrigado por nos aturarem... abraçámos culturas, partilhámos cansaço...
Aos “Oh chefe?!”... foram muitos os rostos que ocuparam este lugar... no entanto, todos eles tiveram o seu papel fundamental...
É possível que me esqueça de tantos outros que nos foram importantes... não é desprezo, apenas memória falível que agora sinto...
Às míticas telhas... “Aquelas ali?!!... até com o dedo do pé!... eram umas cinquenta!!” :) ...

Aos de sempre... que caminham comigo...
Márcia... por te teres integrado bem numa seita maluca, mas muito tua amiga...
Tatiana... és a cocas, uma sapa muito atrevida com quem adorei estar durante tantos dias...
Fábio... és um ‘broda’... obrigado pelo crescimento ao longo destes dez últimos anos...
‘Meistre’... por ser o bom ‘pai marcial’ com quem todos, no Taekwondo, deveriam ter o privilégio de aprender, de crescer... obrigado...

Dinamarca... chegaste devagar... pouco tempo aqui ficaste... “Dream pink”...

rúben leitão 150710